terça-feira, 18 de abril de 2017

|| Nunca te esqueças

Hey, psiu, senta aqui, precisamos de conversar.

Não tremas (nem temas), respira fundo e escuta-me.
Lembras-te do que me prometeste há quase 3 anos atrás? Fizemos um pacto, e hoje estou aqui para to relembrar e fazer honra-lo.
Por entre lágrimas, gritos e prantos tu juraste vencer os teus medos, prometeste cuidar de ti como uma flor que és, honrar o teu coração acima de todas as coisas, respeitar os outros mas a ti acima de tudo.
Prometeste acordar todos os dias grata pela nova oportunidade que a vida te deu de respirares, prometeste tirar todos os teus sonhos do bolso e fazer com que os teus dias valessem a pena, prometeste descobrir as capacidades que desconhecias e encher de amor as ruas do teu caminho.
Prometeste adormecer todos os dias com a certeza de que deste sempre o teu melhor, a ti e aos outros, prometeste encher o teu coração com o que valesse a pena e reciclar quem nunca fez nada para te merecer.
Prometeste que nunca mais aceitarias migalhas de ninguém nem corações pela metade, que ninguém mais te puxaria o tapete debaixo dos pés, prometeste que mais nada nem ninguém iria ser capaz de parar o teu mundo e fazer-te chorar.
Prometeste que nunca irias aceitar tudo de olhos fechados.
Prometeste que mais ninguém iria ditar o que és e quem deverias ser.
Tu prometeste-te. Lembras-te?

Ambas sabemos que és frágil. A vida moldou-te ao longo do tempo e fez de ti uma mulher forte e resiliente mas com fragilidades peculiares.
Eu sei que tens vergonha delas e que muita gente já as usou como arma de arremesso para te ferir ou para ter de ti o que queriam. No mundo também há gente má, mas depois há também aquela gente que por não assumirem as suas próprias falhas e fragilidades, culpam os outros pelos erros que elas próprias cometem. Tu sabes isso.
Esqueceste-te de que o medo de perder nunca irá impedir que percas de facto. Então, porquê continuar a alimenta-lo?
Eu sei que quando amas, amas por inteiro, tu não sabes ser diferente. És feita de amor. Mas poucas são as pessoas que entendem esse amor que transpiras, esse amor que compreende mas que não aceita tudo, esse amor que cuida e embala, que abraça e que beija sem esperas ou demoras, que ensina e que também cura.
Nunca acredites na sorte. Sorte tem o mundo por te ter.
Tu amas tanto as pessoas que agarras a mão delas com força, não as deixas cair por nada, carrega-las nos teus ombros se preciso for, mostras-lhes o mundo daí onde estás à espera que sintam no peito o mesmo fogo, o mesmo brio que tu, que compreendam o que é certo e errado, que aceitem quando tens razão, que te ouçam os conselhos pela experiência que as dores te deram. Mas nada disso adianta, e isso não quer dizer que o teu amor não seja o suficiente, que tu não sejas o suficiente. Como é que devolves a visão a quem não quer ver?

Deixa ir.
Deixa ir quem não te respeita, quem não sabe os limites do aceitável.
Deixa ir quem traz muito amor na boca e muito pouco nos gestos.
Deixa ir quem não te acha suficiente e mendiga noutras portas.
Deixa ir quem usa as tuas fragilidades para se desculpar.
Deixa ir quem não compreende as tuas mágoas.
Deixa ir quem te culpa pelos seus próprios erros e falta de limites.
Deixa ir quem te deixa ficar sozinha com as tuas dúvidas.
Deixa ir quem nada faz para te provar que estás errada.
Deixa ir quem (na verdade) não quer ficar.

Tu és linda, a mulher mais incrível que o mundo pode ter, porque mesmo depois de tudo o que tiveste de suportar sozinha, ainda permites que o teu coração fale sempre mais alto, e quando dás, dás com todo o amor que tens. 
Não te culpes por nem sempre conseguires chegar ao fundo do coração dos outros, a culpa não é tua. Eu sei que dificilmente desistes, que és detentora de uma teimosia que já salvou mais do que magoou, que o amor que carregas no peito é a arma infalível em que (ainda) acreditas, mas haverão momentos em que terás de te render, que terás de parar de dar o corpo às balas, de teres que provar quando tens razão.
Tu és incrível, a melhor amiga que toda a gente quer ter, o amor da vida de alguém que será capaz de tudo por ti, a mãe mais fixe e carinhosa que os teus filhos poderão ter, a filha amorosa e dedicada de uns pais que nunca o souberam ser.
Tu és o melhor abraço, o melhor sorriso, o melhor beijo de alguém, tu és melodia, és ar fresco, és liberdade, és recomeço, és o lugar para onde se quer sempre voltar.

Tu és uma história que valerá sempre a pena ser vivida, um momento que será sempre o suficiente, o suficiente para ser eternizado.

Nunca te esqueças disto.



Ps. A tua razão.











terça-feira, 11 de abril de 2017

|| Conversas de almofada

Estou ao teu lado mas é como se não estivesse. Não por te amar menos, que isso é coisa impossível de ser, mas hoje estou ferida.
"É parvoíce" dirias tu se me visses chorar agora.
Aprende que nenhuma mágoa, por mais pequena que seja, é parvoíce, porque cada coração tem a sua própria forma de ser e sentir, só temos que aceitar e tentar compreender. O amor também é isto, sabes?

"Que falta de respeito". A mim o que me falta é a noção do tempo porque todos os minutos em frente ao espelho são movidos pelo respeito e pelo amor que te tenho.

Eu só quis ficar bonita pra ti.

"Eu estava a brincar contigo...". Não, não estavas a brincar. Eu vi nos teus olhos. Já os conheço há tempo que me baste para saber.

"Ou isso ou estás com a consciência pesada". Custa-te tanto assumir quando estás mal... É mais fácil tentar encontrar culpas no outro.

"Estás toda chateada". Não, só estou triste e magoada. Só estou a sentir-me desvalorizada.

Mas para ti é pouco para justificar a minha expressão fechada.

O James está no teu tablet a cantar-me " Cavalier". É o único que me ouve e não sabe.

Respiras fundo no meio do teu sono pesado, como se nada te incomodasse, como se estivesse tudo bem. "Os homens são todos iguais", digo baixinho, mas depois olho para trás e lembro-me que não.

Viro-me de costas para ti e aninho-me. Só queria um pedido de desculpas.
Não que isso apague o facto de ter querido tanto sairmos para um gelado e conversarmos um bocadinho, como tanto gostamos de fazer, e afinal ter acabado a noite sentada num carro a sentir-me uma merda e ter que segurar os meus olhos entupidos de água enquanto fazias scroll no teu Facebook.

Um pedido de desculpas é uma janela que se abre de frente para o "felizes para sempre".

Espero que sonhes com coisas lindas com que valha a pena ser-se feliz, que possas voar longe e ver as maravilhas de um sono que jamais se perde comigo. Amanhã quando acordares será apenas mais um dia normal pra ti, nada se passou, tudo estará no mesmo lugar. Bendito reset.

Vou fechar os olhos com força. Talvez o sono me venha de mão dada com a exaustão e me traga na algibeira um abraço e os olhos me fiquem menos tristes.

Sonhos felizes.






quarta-feira, 22 de março de 2017

|| És-me poesia

Ah Céline, Céline... How does a moment last forever?
Eu sei.
É no beijo dele, no entrelaçar das nossas mãos, no cruzar do nosso olhar.
É no riso de uma piada parva ou de uma lembrança terna.
É no suspiro apaixonado do "ai rapariga se eu não gostasse tanto de ti..." de cada vez que eu tento meter-lhe nojo.
É na palmada no rabo que eu lhe dou sempre que ele se levanta ou se senta ao meu lado e na palmada na perna que ele me dá de cada vez que vamos juntos no carro.
É no abraço apertado que quase me estrafega toda e que só ele me sabe dar.
É no meu encostar de cabeça no ombro dele.
É na festinha com o dedo que ele me faz no rosto e eu nos lábios dele.
É no beijo no rosto que lhe dou devagarinho sempre que acordo a meio da noite e no braço com que ele me protege sempre que me mexo ao dormir.

Pudesse eu parar o tempo nesses momentos... e perpetuava-nos para sempre.

Se me pedissem para te definir numa só palavra, eu diria que és poesia.
É em ti que escrevo as minhas melhores prosas, que gravo os diálogos mais maravilhosos e soletro as rimas de um amor maior que não me cabe no coração que trago na boca.
É contigo que se frustra todo um dicionário de língua portuguesa e que se dá sentido aos gestos de uma linguagem que deveria ser universal.

És a poesia dos meus versos soltos, do meu conto de fadas, a poesia onde choro os fados que a vida às vezes me canta.
És a poesia dos meus sonhos, das histórias do "viveram felizes para sempre...", és a poesia que invento todos os dias da nossa vida para te fazer feliz.
És a poesia que trago junto ao peito, a poesia que me faz querer tirar os pés do chão e dançar, a poesia que me transporta para os dias lindos que tivemos e alimenta a alegria dos dias que ainda estão por vir.

Até nos nossos momentos maus, aqueles que nos põem à prova e nos mostram que até um amor forte tem as suas vírgulas, és a poesia onde Deus escreve nas minhas linhas tortas.
E quando a minha inspiração se dilui no lago dos meus medos onde, tantas vezes, mergulho de cabeça, vens tu, poesia inteira do meu coração, devolver o ar aos meus sonhos e citar-me os versos de quem sou.

És a poesia que me desperta dos meus sonhos maus, que me destrói as barreiras teimosas, que me prova a diferença entre a verdade e a mentira e que me ampara sempre nas quedas livres.
És a poesia do sol de cada dia novo que nasce e das estrelas que a noite traz para enaltecer o céu escuro, és a poesia que me inspira todos os dias, a poesia que me instiga sem limites e que me desamarra os medos.
És a poesia de um rio que me leva até ao mar, a poesia que pinta a minha primavera deixando-a sempre em flor, a poesia das minhas melodias que ainda estão por inventar.
És a poesia da minha história com um final feliz.

Por mais dias, semanas, meses ou anos que passem, que as minhas linhas sejam sempre suficientes onde possas ser tudo e mais um pouco, inclusive feliz.

E como é que uma história nunca acaba?
Quando a poesia de dois corações se transforma numa música capaz de os fazer ficar, mesmo quando tiverem todas as razões para partirem.

Que a nossa história seja assim, poesia de um amor bonito e puro, para sempre.




terça-feira, 14 de março de 2017

Fala sério || Antes dos meus filhos estou eu

Eu nunca fui muito de falar sobre figuras públicas por aqui, não por algum motivo em especial, simplesmente ainda não tinha surgido oportunidade. Mas hoje inicio a rubrica "Fala Sério" trazendo o nome do Gustavo Santos à baila.
Toda a gente conhece o Gustavo Santos, uns adoram-no, outros odeiam-no, a vida não está para agradar a gregos e a troianos. Pessoalmente, gosto imenso do Gustavo, ele é dos meus, diz as coisas com a maior naturalidade e frontalidade do mundo, e o melhor de tudo é que só come quem quer.
Hoje, ao passar os olhos pelo meu feed do Facebook, deparo-me com uma pequena entrevista (aqui) do Gustavo onde ele fala sobre a paternidade e onde diz umas coisas bastante certeiras (escandalosas na visão de muitos) sobre o ser-se mãe. Claro está que tive que espreitar os comentários porque eu já sabia que as indignadas iriam soltar a franga, e não me enganei.

A dada altura o Gustavo diz algo como "Foi o meu cão que me ensinou a ser pai."
Duas aluadas soltaram logo a sua franga irrequieta. Um cão a ensinar a ser pai? Essa agora! Os cães têm quatro patas, nascem com os olhos fechados, babam-se e cheiram mal da boca, não falam e têm uma inteligência do tamanho de uma ervilha! Como é que alguém pode achar-se pai de uma criatura deste tipo? Jamais!
Não sei porque é que por cá não se faz a mesma coisa que os chinocas fazem aos cães lá no pardieiro deles! Era ver muita gentinha a correr para os restaurantes à procura de sushi de cão para experimentar.
O Sr. Marcelo que reformule a lei de que os animais são seres com sentimentos, tal como os seres humanos. Andamos todos equivocados. Deus me livre ser equiparada a um cão!

Mas a melhor parte nem foi esta, a melhor parte, para mim, foi quando o (grande) Gustavo Santos disse "O filho jamais poderá ser a coisa mais importante da vida de uma mãe.
Uuiii, o que foi ele dizer...
De várias frangas (desfrangalhadas), houve uma que me saltou à vista quando iniciou a destilação da sua estupidez crónica com a boca do "ai o cão é que te ensinou a ser pai, ó valha-me deus...". A partir desse comentário foi um desfrangalhanço do caroço, ao ponto da Sra. dizer que "isto de humanizar animais e animalizar pessoas é fabuloso". 
Será que a Sra. é Jeová? Fiquei com essa impressão.
Mas depois de ler mais uns quantos comentários dela percebi, nitidamente, que é só estúpida e deve achar que na árvore genealógica da vida o homem é um ser celestial e que não pode ser igualado a animal nenhum (fico a pensar que os meus ossos podem ser pedaços de céu e as minhas mamas de tão fofas que são, ao invés de chicha, são duas nuvens que Deus me deu).

Ai Gustavo Gustavo... És um incompreendido. Mas se um dia, porventura, te deparares aqui com o meu pardieirozito e leres isto, quero que saibas que, não só te entendo, como subscrevo o que disseste.
Eu tenho dois filhos lindos, maravilhosos, cheios de saúde, e sou muito grata à vida por ser a mãe deles. Mas eles não são a coisa mais importante da minha vida.
Eles são importantes sim, na medida em que sou a mãe deles e é da minha responsabilidade amá-los, educa-los, prepara-los para o mundo, incentiva-los a fazerem a diferença e deixarem a sua marca, os meus filhos são pedaços de mim que serão perpetuados no tempo e o meu objetivo é que eles sejam a extensão do melhor de mim.
Os filhos são pérolas preciosas na vida de qualquer mãe, mas não são pérolas para usar no pescoço. Os filhos são a sementeira do amor no mundo, porque a verdade é esta: os filhos não são nossos, são do (e para o) mundo.

Um filho que seja a coisa mais importante da vida da sua mãe é um filho perdido, é um ser condenado aos caprichos, vontades e desejos de uma mulher sem amor próprio que se esqueceu (ou nem existiu!) de si, que o diga o meu ex-marido.
"Homens e mulheres há muitos, os filhos ficam para sempre", foi outro dos comentários que mais li sobre a entrevista do Gustavo. Quem dera às mães que perderam os seus filhos que assim fosse... Filhos são para sempre, mas isso não implica que fiquem para sempre do nosso lado.

Amar não equivale possuir.
Eu não sou dona dos meus filhos. Sou responsável sim por lhes mostrar caminhos possíveis, mas a escolha será sempre deles, porque a minha limitação permite-me aceitar que eu não controlo tudo.
Um dia eu sei que eles vão seguir caminho, vão desbravar sonhos, vão conquistar o seu lugar no mundo, e eu… eu serei a mesma mulher, cheia de vida e com sonhos na algibeira, com um coração cheio e braços abertos para os acolher sempre que eles precisarem de pousar, sempre que eles precisarem de que eu lhes aguce a memória e os relembre que há um mundo à espera do amor deles, o mesmo amor com que foram feitos.

Quantos divórcios, quantas mágoas, quantos traumas, quantas chatices não seriam evitadas se as mães parassem de desistir de viver para verem o mundo pelos olhos dos filhos. É como se com o nascer de um filho a vida se reduzisse a um tamanho somente visível por uns binóculos, como se um filho nascesse com a sentença registada de ter de alimentar o sentido da existência da sua mãe.

Viver para (e pelos) filhos dá sempre merda, não importa o prazo.
Quantos filhos ficaram parados, presos no tempo porque as mães não os deixaram experimentar, não os deixaram voar, testar os seus próprios limites. 
Quantos filhos não cresceram para lá dos horizontes das suas mães.
Quantos filhos limitados e dependentes de um amor materno andam por aí a cobrar esse mesmo amor (obsessivo) às suas namoradas e esposas. 

Antes dos meus filhos estou (e estarei sempre) eu porque se eu não estiver bem é impossível proporcionar bem-estar e equilíbrio aos meus filhos, é impossível fazê-los felizes se eu não for feliz também. Ninguém consegue dar o que não tem, basicamente, é como construir uma casa em cima de areia. 

Que Deus conserve aquilo que sou e me permita deixar ser tudo aquilo que os meus filhos quiserem ser, inclusive livres.



domingo, 5 de março de 2017

|| Coração na boca

Eu sei que não tens culpa dos invernos que outros me trouxeram, eu sei.
Eu sei que não tens culpa de me terem deixado em cacos, desfeita no chão, jogada às intempéries da dor, eu sei.
Sabias que até um vaso quebrado pode ser bonito? São aquelas fendas frágeis que expõem os tombos que deu e a graciosidade com que se colou, é aquela despadronização na pintura que comprova que vaso bom também quebra e, apesar de nunca mais se parecer igual ao que era, consegue se destacar dos outros vasos do mundo. São através daquelas fendas tão frágeis e ásperas, que o tempo não corrói, que a dor respira e dói menos.

São as minhas fendas que fazem de mim o vaso que vês.

Se quiseres, planta-me flores e cuida-me das ervas daninhas.
Faz-me tranças no cabelo e beija-me na testa, devagarinho.
Pega-me nas mãos e fala-me dos teus sonhos, em silêncio.
Promete-me que o amor é uma primavera em flor.  

Só não me digas que sou piegas, e que ter medo que te vás é coisa sem sentido.
Amar-te é o mais perfeito dos meus sentidos, não reduzas isso a nada porque me é tanto.

Pega-me nos medos e embala-os, devagar para não os assustar.
Abraça-me os soluços contidos e sussurra-lhes que vai ficar tudo bem.
Adormece a minha mágoa com ternura.

Só não me deixes calar, porque depois de ir posso não voltar.
Sentares-te e ouvires-me é a maior prova de amor que me podes dar.

Desenha-me estrelas com a ponta dos dedos.
Pinta-me um sorriso até às orelhas.
Dança e faz-me rodopiar até ao frio na barriga.
Diz que me amas debaixo da chuva.

E eu prometo-te as mãos unidas em qualquer precipício e um "amar-te por toda a minha vida" de um qualquer Jobim. 














domingo, 26 de fevereiro de 2017

|| Carnaval: big no!

Será que sou só eu que não acho piada nenhuma ao Carnaval? Bem, vale a pena só pela pausa nas aulas...



(imagem da net)


Lembro-me que em miúda eu gostava de sair com os outros miúdos da escola e desfilar mascarada pelas ruas lá da minha terrinha, era giro, era um dia diferente. Mas com o tempo, e à medida que fui crescendo, perdi o interesse na folia carnavalesca. 
Penso que o Carnaval em Portugal é uma brincadeira de crianças, comparado com o que existe no Brasil. E o mais parolo, é que os portugueses tentam copiar os brasileiros, como se temperaturas de 30 a 40º batessem as temperaturas gélidas que por cá se fazem sentir. Ver as moças semi nuas a sambarem debaixo de um frio do caroço é só ridículo. 
O problema do carnaval é que muita gente se aproveita (e se desculpa) para fazer mal aos outros com o cliché do "é carnaval ninguém leva a mal". Claro que levo a mal! 
Muita gente sai à rua só para meter nojo e fazer a vida negra aos outros com brincadeiras parvas que não lembram nem ao menino jesus, e é aí que o carnaval perde a graça que deveria ter.
Outra piada carnavalesca são as discotecas de Lisboa. Ontem saí para dançar e celebrar o facto de ter feito anos e dirigi-me a uma discoteca que me tinham recomendado por estar na moda e por ser porreira, mas assim que cheguei à entrada e li "Festa Privada, consumo mínimo obrigatório 500€" deu-me vontade de sair de cima dos meus saltos e sambar à chapada na cara do gajo que se lembrou daquela estupidez. 500€??? Fosgace, roubar é com uma pistola!
Fora isso, as pessoas andavam pelas ruas, umas fantasiadas a preceito outras nem precisavam, onde o álcool era rei e senhor da estupidez. 

Conclusão: voltei para casa desiludida (puto da vida, vá) e a detestar ainda mais o carnaval.

Para quem gosta, divirtam-se. Com juízo, por favor.





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

|| 29 anos

29 anos... Ainda ontem alterei a descrição ali do lado direito de 27 para 28!!



Fazer 29 anos é assustador, confesso. 
Desde muito nova que sempre imaginei que quando chegasse aos 30 a minha vida acabava, que a juventude passava, que já não havia mais nada para viver ou aprender. Obviamente que hoje acredito que não é bem assim, mas envelhecer continua a custar-me, continua a assustar-me. 
Não há nada pior do que a possibilidade de um dia esquecer-me de quem fui e de quem sou hoje, acho que é mais por isso que me custa tanto envelhecer.
E como é estar nos pré-trinta? É um misto.
Por um lado é bom porque me sinto mais madura, mais consciente de quem sou e do que quero, sou mais humana, mais ponderada, mais assertiva, apaixonei-me profundamente por mim mesma (o que era algo que eu achava que nunca iria acontecer).
Mas por outro lado...olho para trás e pergunto-me constantemente "o que raio andaste a fazer? não viveste quase nada!". 
Psicologicamente falando, estou numa crise, ahahahahah. Mas uma crise não tem que ser olhada de forma negativa, muito pelo contrário, uma crise é ter consciência daquilo que se fez ou não, e pensar sobre aquilo que se quer e o que fazer para se ter.
Alguém me disse um dia (alguém que eu amo muito!) "é ver nos teus olhos os 20 mas teres a maturidade dos 30". 

Que os 29 me conservem o sorriso doce de quem acredita que o melhor está sempre por vir, que me continuem a alimentar a esperança de que o mundo ainda é um lugar bonito para se viver.
Que os 29 me tragam a sabedoria de que o caminho faz-se andando e de que a felicidade é a certeza crescente de que dei sempre o melhor de mim.
Que os 29 me ensinem a honrar o compromisso deste amor próprio que hoje trago ao peito e a realização dos sonhos que trago no bolso. 
Que os 29 me tragam a coragem e a força para nunca me esquecer, por um segundo que seja, de onde vim e de quem quero ser.
Que os 29 me conservem a ideia de que o amor deverá ser sempre a causa primária de todas as coisas e a certeza de que no dia em que me esquecer disto perco-me para sempre.

Tchim tchim!